Supervisão em grupo pequeno, ao vivo, toda semana. Tu trazes teus casos reais — e a gente acha a porta de saída. A do paciente e, quase sempre, a tua.
Tu estudaste a abordagem. Sabes a teoria. Conduzes a sessão com cuidado. E mesmo assim tem caso que não anda — e tu não sabes dizer por quê.
Não é falta de mais um curso de técnica. Quase sempre, quando o caso trava, é porque tu entraste no mundo psíquico do paciente e ficaste preso lá junto com ele — confuso com a confusão dele. A supervisão existe pra te puxar de volta e te mostrar a saída.
Faz meses. Tu já tentaste tudo que sabes e o paciente segue rodando em volta da mesma queixa. Sais da sessão com a sensação de estar cavando o problema com ele — e quanto mais cavas, pior.
“Não sei mais por onde pegar esse caso.”
Tem paciente que te deixa irritado, impaciente, com vontade de sacudir. E tu não sabes se a irritação é tua ou se ele está te entregando a dele. Sozinho, tu não enxergas.
“Será que isso é meu ou é dele?”
Tu carregas o peso de vários casos e não tens com quem dividir. Não dá pra desabafar com amigo nem com a família — tem o sigilo, e eles não entenderiam mesmo. Falta um lugar firme onde tu também sejas ouvido.
“Eu seguro todo mundo. Quem me segura?”
As três têm a mesma raiz: tu ficaste preso no mundo psíquico de alguém — às vezes o do paciente, às vezes o teu.
Toda supervisão bem conduzida parte de um movimento só: sair. Sair do mundo psíquico em que o paciente te enredou, achar a porta e levá-lo por ela. Quando tu travas, é porque a porta sumiu — e ela quase sempre some porque alguma coisa tua entrou na cena.
Por isso a supervisão tem, querendo ou não, o caráter de uma terapia em grupo. Não é terapia. Mas a gente trabalha as tuas contratransferências, porque é nelas que o caso emperra. O lugar onde tu travas com o paciente é, com frequência, o retrato de algo teu que ainda não foi olhado.
E tem um ganho que vem de brinde: depois de um tempo lendo casos por dentro, tu começas a prever. A gente brinca de bola de cristal — “o que esse paciente vai fazer?” — e acerta. Não é magia. É entender o sistema que move a pessoa e enxergar pra onde ele a leva.
Tu trazes um caso real e a gente supervisiona ali, na frente da turma. Nada gravado e mastigado — a clínica acontecendo em tempo real.
Poucas pessoas por turma. É o que torna possível o caráter de terapia em grupo e o cuidado com a contratransferência de cada um.
Nada de teoria solta. Parte-se sempre de uma demanda concreta — tua ou de um colega — e a teoria entra pra resolver aquilo, não pra enfeitar.
Antropologia clássica, logoterapia, a leitura do vínculo. Mas sempre amarrada ao caso que está na mesa — nunca como erudição vazia.
Com a turma e comigo, em cima dos teus pacientes reais.
O espaço de desabafo que a clínica não te dá em nenhum outro lugar.
O que te trava no paciente, finalmente olhado de fora.
Teoria do Vínculo Terapêutico, o propedêutico de psicologia, o curso de afetos, Ordem e Rotina, o Caminho do Terapeuta e os demais — incluídos enquanto tu estiveres na supervisão.
Diego Moreira
Psicólogo clínico com mais de 5 anos de prática, com consultório próprio, e há mais de 2 anos supervisiono outros psicoterapeutas. Minha prática integra a filosofia clássica, a psicologia e o que de fato acontece dentro de uma sessão.
Esta não é supervisão de quem parou de atender. É a minha clínica aberta — o mesmo modo de ler um caso que eu uso todos os dias, agora com a tua turma e em cima dos teus pacientes.
@odiego.moreira →As turmas são pequenas e estão em andamento — por isso, e pelo caráter de terapia em grupo, ninguém entra direto. Primeiro a gente conversa: eu quero entender o teu momento e ver se o perfil encaixa na turma.
É um compromisso mensal, mais acessível que a supervisão avulsa que tu encontras por aí — mas o que define a entrada não é o valor, é o encaixe.
Levando os casos travados pra casa, cavando o problema junto com o paciente, sem ninguém pra apontar onde foi que tu entraste na cena.
Trazer o caso, achar a porta de saída — a do paciente e a tua — e parar de carregar a clínica sozinho.